UMA REALEZA TERRESTRE

 

Quem melhor do que eu pode compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: “O meu reino não é deste mundo”? O orgulho me perdeu na Terra. Quem, pois, compreenderia o nenhum valor dos reinos da Terra, se eu o não compreendia? Que trouxe eu comigo da minha realeza terrena? Nada, absolutamente nada. E, como que para tornar mais terrível a lição, ela nem sequer me acompanhou até o túmulo! Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Que desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre! Oh! como então compreendi a esterilidade das honras e grandezas que com tanta avidez se reqüestam na Terra! Para se granjear um lugar neste reino, são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade em toda a sua celeste prática, a benevolência para com todos. Não se vos pergunta o que fostes, nem que posição ocupastes, mas que bem fizestes, quantas lágrimas enxugastes. Oh! Jesus, tu o disseste, teu reino não é deste mundo, porque é preciso sofrer para chegar ao céu, de onde os degraus de um trono a ninguém aproximam. A ele só conduzem as veredas mais penosas da vida. Procurai-lhe, pois, o caminho, através das urzes e dos espinhos, não por entre as flores.

Correm os homens por alcançar os bens terrestres, como se os houvessem de guardar para sempre. Aqui, porém, todas as ilusões se somem. Cedo se apercebem eles de que apenas apanharam uma sombra e desprezaram os únicos bens reais e duradouros, os únicos que lhes aproveitam na morada celeste, os únicos que lhes podem facultar acesso a esta. Compadecei-vos dos que não ganharam o reino dos céus; ajudai-os com as vossas preces, porquanto a prece aproxima do Altíssimo o homem; é o traço de união entre o céu e a Terra: não o esqueçais. – Uma Rainha de França. (Havre, 1863.)

Fonte: O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. Ed.: FEB.

 

REFLEXÕES SOBRE A CALÚNIA

Mesmo que sejas tão puro quanto a neve, não escaparás à calúnia”. William Shakespeare

   Encontramo-nos em processo de evolução, o que implica que estamos sujeitos às injunções herdadas das nossas experiências transatas, tanto dos seus conteúdos bons como também dos maus, pela própria condição do planeta que ainda se encontra na transição de planeta de provas e expiações para planeta de regeneração.

   Pelo largo período predominando os conteúdos de natureza primitiva, estes se fixaram nos hábitos morais, mantendo-nos em estado de defesa agressiva que contamina e alimenta as nossas emoções, mantendo-nos em estado egoico, distanciando-nos do Si-mesmo.

   Com isso, ainda cedemos lugar aos apelos inferiores, abrindo mão dos que proporcionam ascensão espiritual. Dentre eles, lideram o orgulho, a inveja, o ressentimento, a agressividade, a mentira e a calúnia. Caluniar consiste em difamar fazendo acusações falsas. E se refletirmos bem, quem é que nunca foi vítima e por vezes algoz da calúnia?

   Afirmativas como “onde há fumaça há fogo”, em verdade são armas utilizadas pelos caluniadores. O correto é: “onde há fumaça há um caluniador”. Para bom entendedor, quem está sendo exposto não é o caluniado, mas sim o caluniador: revela-se e desvenda um interior conflitado, um ego atormentado. Por isso mesmo, conforme estabelece André Luiz na obra Os Mensageiros, ” a calúnia é um monstro invisível, que ataca o homem através dos ouvidos invigilantes e dos olhos desprevenidos”.

   Mas, por que isso ainda é possível? Se somos homens e mulheres que buscamos um contato maior com Deus, que buscamos a espiritualidade e a espiritualização, nos dedicamos ao bem e fazemos caridade, será que temos que nos deparar com a calúnia e tantos outros sentimentos e emoções inferiores? É que o caminho para o autoencontro passa pela integração da nossa própria sombra, e na tentativa de fazer o bem nos deparamos com o mal ainda existente em nós e nos outros. Isso nos faz recordar as reflexões do Apóstolo Paulo, quando declarou: “… com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.” Romanos 7:18-19

   Mas para vencer esses impulsos, no tocante à calúnia, é importante conhecer algumas das suas causas, assim como os mecanismos para dela nos precavermos:

Causas da Calúnia:

  1. Toda vez que o indivíduo se sente ameaçado em sua fortaleza egoica, é dominado pela inveja e ataca aquele que supõe seu adversário. Se fosse uma pessoa honesta falaria diretamente, não se utilizando da calúnia.

  2. Por sentir-se bem na condição que se encontra, não deseja permitir que o outro alce voo, usa assim da calúnia contra o suposto inimigo usando de meios como: gerar dificuldades no trabalho, criar desentendimentos à sua volta, produzir campanhas difamatórias, e não perceber que assim preserva a própria inferioridade.

  3. Resistência à mudança. De maneira consciente ou inconsciente a pessoa permanece em ociosidade mental e moral, fixando-se no suposto inimigo, retroalimentando-se com a própria insânia.

  4. Por causa da resistência não aceita esclarecimentos, não admite que outra pessoa esteja em melhor condição emocional que ele.

  5. Autovaloriza-se e autopromove-se, consequência do complexo de inferioridade, necessitando diminuir o outro para sentir-se melhor.

  6. As qualidades morais do outro acionam a sombra do caluniador.

Como proteger-se da calúnia:

  1. Não fique aflito; lembre-se que a calúnia é uma falsa verdade.

  2. Não prove desse veneno, pois se reservares espaço mental a calúnia perturbará suas emoções ativando assim seus complexos.

  3. Na calúnia muitas vezes existe uma tentativa do caluniador de projetar a própria imagem, utilizando-se da pessoa que ele tem como inimigo.

  4. Se a tua conduta é correta, se não agride a sociedade, não fere ninguém, continua sem temor nem sofrimento na realização daquilo que consideras importante para a tua existência.

  5. Desminta a calúnia com teus atos de amor e bondade. Crescendo e iluminando-te.

   Que seja a tua postura aquela que nunca revida o mal com o mal, nem acusações com acusações, reserva-te então em comunhão com o Cristo e como Ele mesmo nos advertiu: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não” (Mt.5.37).

Fonte: http://www.correioespirita.org.br

Carta de Ano Novo

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Carta de Ano Novo

pelo Espírito Emmanuel, no livro “Vida e Caminho”,

psicografado por Chico Xavier:

 

Ano Novo é também oportunidade de aprender, trabalhar e servir. O tempo, como paternal amigo, como que se reencarna no corpo do calendário, descerrando-nos horizontes mais claros para necessária ascensão.

Lembra-te de que o ano em retorno é novo dia a convocar-te para a execução de velhas promessas que ainda não tivestes a coragem de cumprir.

Se tens inimigos, faze das horas renascer-te o caminho da reconciliação.

Se foste ofendido, perdoa, a fim de que o amor te clareie a estrada para frente.

Se descansaste em demasia, volve ao arado de tuas obrigações e planta o bem com destemor para a colheita do porvir.

Se a tristeza te requisita, esquece-a e procura a alegria serena da consciência tranquila no dever bem cumprido.

Ano Novo! Novo Dia!

Sorri para os que te feriram e busca harmonia com aqueles que te não entenderam até agora.

Recorda que há mais ignorância que maldade em torno de teu destino.

Não maldigas nem condenes.

Auxilia a acender alguma luz para quem passa ao teu lado, na inquietude da escuridão.

Não te desanimes nem te desconsoles.

Cultiva o bom ânimo com os que te visitam dominados pelo frio do desencanto ou da indiferença.

Não te esqueças de que Jesus jamais se desespera conosco e, como que oculto ao nosso lado, paciente e bondoso, repete-nos de hora a hora: Ama e auxilia sempre. Ajuda aos outros amparando a ti mesmo, porque se o dia volta amanhã, eu estou contigo, esperando pela doce alegria da porta aberta de teu coração.

Neste  ano novo, seja feliz, querido amigo!!

Blog do Jerônimo