Agir por caridade, caridosamente

caridade

Tomai cuidado para não fazer vossas boas obras serem vistas diante dos homens; de outro modo, não recebereis recompensa alguma de vosso Pai que está nos Céus. Quando derdes esmola, não façais soar a trombeta diante de vós, como fazem os hipócritas* nas sinagogas e nas ruas, para serem honrados pelos homens. Eu vos digo, em verdade, que já receberam sua recompensa. Mas, quando derdes uma esmola, que vossa mão esquerda não saiba o que faz a vossa mão direita, a fim de que a esmola fique em segredo. E vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos dará a recompensa. (Mateus, 6:1 a 4)

Fazer o bem sem se exibir, sem ostentação, é um grande mérito. Esconder a mão que dá é ainda mais louvável. É o sinal indiscutível de uma grande superioridade moral, porque, para compreender além da vulgaridade comum as coisas do mundo, é preciso elevar-se acima da vida presente e se identificar com a vida futura. É preciso, em uma palavra, colocar-se acima da Humanidade para renunciar à satisfação que o aplauso dos homens proporciona e pensar na aprovação de Deus. Aquele que estima mais a aprovação dos homens do que a de Deus prova que tem mais fé nos homens do que em Deus e que a vida presente vale mais do que a vida futura. Se disser o contrário, age como se não acreditasse no que diz. Quantos ajudam apenas na esperança de que essa ajuda tenha grande repercussão; que, em público, dão uma grande soma e que ocultamente não dariam nem um centavo! Eis porque Jesus disse: Aqueles que fazem o bem com ostentação já receberam sua recompensa. De fato, aquele que procura sua glorificação na Terra pelo bem que faz já se pagou a si mesmo. Deus não lhe deve mais nada. Resta-lhe apenas receber a punição do seu orgulho.

Que a mão esquerda não saiba o que faz a mão direita é um ensinamento que caracteriza admiravelmente a beneficência modesta. Mas, se existe a modéstia real, há também a fingida, isto é: a simulação da modéstia. Há pessoas que escondem a mão que dá, tendo o cuidado de deixar à mostra uma parte da sua ação, para que alguém observe o que fazem. Ridícula comédia dos ensinamentos do Cristo! Se os benfeitores orgulhosos são desconsiderados entre os homens, muito mais o serão diante de Deus! Estes também já receberam sua recompensa na Terra. Foram vistos; ficaram satisfeitos por terem sido vistos: é tudo o que terão.

Qual será, portanto, a recompensa daquele que faz pesar seus benefícios sobre o beneficiado, que lhe obriga, de alguma maneira, os testemunhos de reconhecimento, que lhe faz sentir sua posição realçando as dificuldades e os sacrifícios a que se impôs por ele? Para este, nem mesmo existe a recompensa terrena, pois ele é privado da doce satisfação de ouvir abençoar seu nome. E aí está o primeiro castigo de seu orgulho. As lágrimas que ele seca em benefício de sua vaidade, ao invés de subirem ao Céu, recaem sobre o coração do aflito e o ferem. O bem que ele faz não lhe traz o menor proveito, pois, ele o lamenta, e todo benefício lamentado é moeda falsa e sem valor.

A beneficência sem exibicionismo tem um duplo mérito: além de ser caridade material é caridade moral. Ela respeita os sentimentos do beneficiado. Faz com que, em aceitando o benefício, seu amor-próprio não seja atingido, protegendo assim sua dignidade de homem, pois este poderá aceitar um serviço, mas não uma esmola. Acontece que converter um serviço em esmola, conforme a maneira como é proposto que se faça, é humilhar aquele que o recebe e sempre há orgulho e maldade em humilhar alguém. A verdadeira caridade, pelo contrário, é delicada, habilidosa e sutil em disfarçar o benefício, em evitar até as menores aparências que ferem, pois toda contrariedade moral aumenta o sofrimento do necessitado. Ela sabe encontrar palavras doces e afáveis que colocam o beneficiado à vontade em face do benfeitor, enquanto a caridade orgulhosa o humilha. O sublime da verdadeira generosidade é quando o benfeitor, invertendo os papéis, encontra um meio de parecer ser ele próprio o beneficiado frente àquele a quem presta um favor. Eis o que querem dizer estas palavras: Que a mão esquerda não saiba o que faz a mão direita.

Evangelho segundo o espiritismo, cap. 13, item 3.

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A indulgência

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Então, os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé no meio do povo, – disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; – ora, Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isso a tua opinião?” – Diziam isto para o tentarem e terem de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, entrou a escrever na terra com o dedo. – Como continuassem a interrogá-lo,  ele se levantou e disse: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” – Em seguida, abaixando-se de novo, continuou a escrever no chão. – Quanto aos que o interrogavam, esses, ouvindo-o falar daquele modo, se retiraram, um após outro, afastando-se primeiro os velhos. Ficou, pois, Jesus a sós com a mulher, colocada no meio da praça. 

Então, levantando-se, perguntou-lhe Jesus: “Mulher, onde estão os que te acusaram? Ninguém te condenou?” – Ela respondeu: “Não, Senhor.” Disse-lhe Jesus: “Também eu não te condenarei. Vai-te e de futuro não tornes a pecar.” (S. JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

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Caros amigos, sede severos convosco, indulgentes para as fraquezas dos outros. É esta uma prática da santa caridade, que bem poucas pessoas observam. Todos vós tendes maus pendores a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar; todos tendes um fardo mais ou menos pesado a alijar, para poderdes galgar o cume da montanha do progresso. Por que, então, haveis de mostrar­-vos tão clarividentes com relação ao próximo e tão cegos com relação a vós mesmos? Quando deixareis de perceber, nos olhos de vossos irmãos, o pequenino argueiro que os incomoda, sem atentardes na trave que, nos vossos olhos, vos cega, fazendo­-vos ir de queda em queda? Crede nos vossos irmãos, os Espíritos. Todo homem, bastante orgulhoso para se julgar superior, em virtude e mérito, aos seus irmãos encarnados, é insensato e culpado: Deus o castigará no dia da sua justiça. O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, que consistem em ver cada um apenas superficialmente os defeitos de outrem e esforçar­-se por fazer que prevaleça o que há nele de bom e virtuoso, porquanto, embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há, nalgumas de suas dobras mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual.

Espiritismo! Doutrina consoladora e bendita! Felizes dos que te conhecem e tiram proveito dos salutares ensinamentos dos Espíritos do Senhor! Para esses, iluminado está o caminho, ao longo do qual podem ler estas palavras que lhes indicam o meio de chegarem ao termo da jornada: caridade prática, caridade do coração, caridade para com o próximo, como para si mesmo; numa palavra: caridade para com todos e amor a Deus acima de todas as coisas, porque o amor a Deus resume todos os deveres e porque impossível é amar realmente a Deus, sem praticar a caridade, da qual fez ele uma lei para todas as criaturas.

Dufêtre, bispo de Nevers. Bordéus – Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. X – Bem-aventurados os que são misericordiosos.

 Tema da preleção evangélica desta terça-feira, 16 de abril de 2013.

O 7º Congresso Espírita Mundial em Cuba é marco histórico

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O 7º Congresso Espírita Mundial, promovido pelo Conselho Espírita Internacional, em Havana (Cuba), foi um marco na história do Movimento Espírita cubano e internacional. O CEI e a Federação Espírita Brasileira doaram a Cuba uma edição especial, em espanhol, de O Evangelho segundo o Espiritismo e, no mesmo “container” de livros havia vários títulos em espanhol editados pelo IDE.

Dias antes houve um pré-Congresso na região leste de Cuba, com palestras e visitas a Manzanillo, Bayamo e Sierra Maestra, com cerca de 1.200 participantes. No Congresso propriamente dito foram 2.012 os inscritos, dos quais 1.200 cubanos.

Entre os 31 países presentes, tiveram maior número de participantes: Brasil – 569; Colômbia – 55; Estados Unidos – 41; México – 18; Uruguai – 16; Panamá – 12; Inglaterra e Portugal – 10.   Como parte de tradição local, antes do início do Congresso, houve homenagem pública (foto) em praça central ao herói nacional José Julián Martí Pérez (1853–1895), que foi também simpatizante de ideias espíritas.

O Teatro Lazaro Peña esteve lotado durante todo o período de 22 a 24 de março. Na abertura (foto) e em vários momentos compareceram representantes do Governo de Cuba: Abel Prieto Jiménez, assessor do presidente da República; Caridad Diego Bello, diretora do Departamento de Assuntos Religiosos do Governo, e sua assessora Eloísa Valdez, assessora do Ministério da Justiça.

        Divaldo Franco foi homenageado durante o evento

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Servando Agramonte, líder do Movimento Espírita Cubano, e Manuel De La Cruz, organizadores do evento, usaram da palavra. Divaldo Pereira Franco (foto) proferiu as conferências de abertura e de encerramento e foi homenageado durante o evento pelo seu trabalho pela paz.

Na conferência de abertura, proferida no dia 22, Divaldo Franco abordou o tema central do evento (“La Educación Espiritual y la Caridad en la Construcción de un Mundo de Paz”). Na conferência final, no dia 24, o tema abordado foi “A Atualidade em um Mundo de Transição”.

Atuaram também como expositores:  Fábio Villarraga e Jorge Berrio (Colômbia); Charles Kempf (França); Vitor Mora Feria (Portugal); Eduardo Nanni (Bolívia); Jean Paul Évrard (Bélgica); Jussara Korngold e Vanessa Anseloni (EUA); Antonio Cesar Perri de Carvalho, Marlene Nobre, Roberto Fuina Versiani (Brasil); Elsa Rossi (Reino Unido); Ciro Labrada, Servando Agramonte, Raúl Hernández Espinosa, Manuel de la Cruz, Rev. Juan Ramón de La Paz (Cuba); José Velásquez (El Salvador); Maria de La Gracia de Ender (Panamá); Jorge Camargo Zurita (México); Odette Lettelier (Chile); José Vásquez (Venezuela); Salvador Martin (Espanha); Edwin Bravo (Guatemala); Eduardo Dos Santos e Edimilson L. Nogueira (Uruguai); Edgard Machuca (Porto Rico), e Gustavo Martinez (Argentina).

Próximo Congresso será em Lisboa, em 2016.

Ao longo do evento, como de costume, ocorreram diversas apresentações artístico-culturais. Ao final, foi informado que os vídeos sobre o Congresso estarão disponíveis em um novo site dentro de 40 dias (www.cubaespirita.org). O jornal oficial governamental “Granma”, em sua edição do dia 23 de março, trouxe notícia sobre o Congresso.

Durante os dias e em seguida ao Congresso também ocorreram reuniões da Comissão Executiva do CEI e Reunião Ordinária do CEI, oportunidade em que foi eleita a nova Comissão Executiva do CEI, e sua Comissão Diretiva: Charles Kempf, secretário geral; Antonio Cesar Perri de Carvalho, 1º Secretário; Elsa Rossi, 2º Secretário; Roberto Fuina Versiani, 1º tesoureiro, e Jean Paul Évrard, 2º tesoureiro.

Nessa reunião foram definidas várias ações internacionais, quando então se informou que o 2º Congresso Espírita Sul-Americano, promovido pela Coordenadoria do CEI da América do Sul, será realizado em Assunção (Paraguai) nos dias 13 a 15 de setembro de 2013.

Definiu-se também que o 8º Congresso Espírita Mundial, promovido pelo CEI, será realizado no segundo semestre de 2016, em Lisboa (Portugal), tendo como tema central “Em Defesa da Vida”.

O programa detalhado do Congresso, com os nomes dos oradores e os horários das palestras e demais exposições doutrinárias, pode ser visto clicando-se neste link: http://intercei.com/2013.

Mais informações: www.7cem.org; www.febnet.org.br

O Cristo Consolador

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Se me amais, observai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai, e Ele vos enviará um outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito de Verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê e porque não o conhece. Vós, porém, o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. Mas o consolador, que é o Santo Espírito, que meu pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.” (João, XIV: 15 a 17 e 26.)

A vinda do Espírito de Verdade

Como em tempos passados, entre os extraviados filhos de Israel, venho trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como a minha palavra em tempos passados, deve lembrar aos incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grandioso que faz a planta germinar e as ondas se levantarem. Revelei a doutrina divina; como um ceifeiro, juntei em feixes o bem espalhado na humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis.”

Porém, os homens ingratos se afastaram do caminho largo e reto que conduz ao reino de meu Pai e se extraviaram nos ásperos e estreitos caminhos da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; ele quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto a morte não existe, sejais socorridos e que, não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a voz daqueles que não estão mais na Terra seja ouvida para vos bradar: Orai e acreditai, pois a morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e se desenvolver como o cedro.

Homens fracos, que percebeis as trevas de vossas inteligências, não afasteis a tocha que a clemência divina coloca entre vossas mãos para aclarar vosso caminho e vos reconduzir, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai. Sinto-me cheio de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa imensa fraqueza para deixar de estender a mão segura aos infelizes extraviados que, vendo o céu, caem no abismo do erro. Acreditai, amai, meditai nas coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio com o bom grão, as utopias às verdades.

Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades encontram no Cristianismo; os erros que nele criaram raízes são de origem unicamente humana; e eis que do outro lado do túmulo, onde acreditáveis que nada existia, vozes vos gritam: “Irmãos, nada morre! Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade.”

O Espírito de Verdade. Paris, 1860.

Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 6 – O Cristo Consolador. Tema da explanação evangélica desta terça, 02 de abril de 2013.

 

Bem-aventurados os aflitos

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Bem-aventurados* os que choram, pois serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor à justiça, porque é deles o reino dos Céus. (Mateus, 5: 5 e 6, 10)

BEM E MAL SOFRER

Quando Cristo disse: Bem-aventurados os aflitos, pois deles é o reino dos Céus, não se referia àqueles que sofrem em geral, pois todos os que estão na Terra sofrem, estejam ou num trono, ou na extrema miséria. Mas poucos sabem sofrer, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir o homem ao reino de Deus. O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações se vos falta coragem. A prece é a sustentação para a alma, mas não é suficiente: é preciso que se apoie sobre uma fé viva na bondade de Deus. Jesus vos disse muitas vezes que não se colocava um fardo pesado sobre ombros fracos, e sim que o fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem. A recompensa será tão mais generosa quanto mais difícil tiver sido a aflição. Mas é preciso merecer a recompensa e é por isso que a vida está cheia de tribulações.

O militar que não é enviado à frente de batalha não fica feliz, pois o descanso no acampamento não lhe proporciona promoção. Sede como o militar e não desejeis um descanso que enfraqueceria vosso corpo e entorpeceria vossa alma. Ficai satisfeitos quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo da batalha, mas as amarguras da vida, em que algumas vezes é preciso mais coragem do que  num combate sangrento, pois aquele que se manteria firme diante do inimigo poderá fracassar sob a pressão de um sofrimento moral. O homem não tem recompensa por esse tipo de coragem, mas Deus lhe reserva coroas e um lugar glorioso. Quando vos atinge um motivo de dor ou de contrariedade, esforçai-vos para superar isso, e quando chegardes a dominar os ataques da impaciência, da raiva ou do desespero, podeis dizer com uma justa satisfação: “Fui o mais forte”.

Bem-aventurados os aflitos pode traduzir-se assim: Bem-aventurados aqueles que têm a ocasião de provar sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus, porque terão cem vezes a alegria que lhes falta na Terra, e depois do trabalho virá o descanso.

Lacordaire – Havre, 1863

Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 5 – Bem-aventurados os aflitos. Tema da explanação evangélica deste sábado, 30 de março de 2013.
* Muito felizes.

Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo

reencarnação

Ora, havia um homem dentre os fariseus, chamado Nicodemos, senador dos judeus, que veio à noite encontrar Jesus e lhe disse: Mestre, sabemos que viestes da parte de Deus para nos instruir como um doutor, pois ninguém poderia fazer os milagres que fazes se Deus não estivesse com ele.

Jesus respondeu: Em verdade, em verdade, vos digo: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.

Nicodemos perguntou a Jesus: Como pode nascer um homem que já está velho? Pode ele entrar no ventre de sua mãe, para nascer uma segunda vez?

Jesus respondeu: Em verdade, em verdade, vos digo: Se um homem não renascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é Espírito. Não vos espanteis se vos digo que é preciso que nasçais de novo. O Espírito sopra onde quer e escutais sua voz, mas não sabeis de onde ele vem, nem para onde vai. Ocorre o mesmo com todo homem que é nascido do Espírito.

Nicodemos perguntou: Como isso pode acontecer? Jesus lhe disse: Sois mestre em Israel e ignorais essas coisas! Em verdade, em verdade, vos digo que apenas dizemos o que sabemos e que apenas damos testemunho do que vimos; e, entretanto, não recebeis nosso testemunho. Mas se não acreditais quando vos falo das coisas terrenas, como acreditareis quando vos falar das coisas do Céu? (João, 3:1 a 12.)

 NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO

Será a encarnação uma punição e somente os Espíritos culpados estão sujeitos a ela?

A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que possam cumprir, por meio de ações materiais, os planos cuja execução Deus lhes confiou. Isto é necessário para eles mesmos, pois a atividade que estão obrigados a desempenhar ajuda o desenvolvimento da sua inteligência. Deus, sendo soberanamente justo, considera igualmente todos os seus filhos. É por isso que Ele dá a todos um mesmo ponto de partida, a mesma capacidade, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de ação. Qualquer privilégio seria uma preferência e qualquer preferência, uma injustiça. Mas a encarnação é para todos os Espíritos apenas um estado transitório. É uma tarefa que Deus lhes impôs no início de suas vidas, como primeira prova do uso que farão de seu livre-arbítrio. Aqueles que cumprem essa tarefa com zelo vencem mais rapidamente e de maneira menos aflitiva esses primeiros degraus da iniciação e colhem mais cedo os frutos de seu trabalho. Aqueles que, ao contrário, fazem mau uso da liberdade que Deus lhes concede retardam seu adiantamento, e é assim que, pela sua teimosia, podem prolongar indefinidamente a necessidade de reencarnar, e é quando então ela se torna um castigo.

Observação: uma comparação simples ajudará a entender melhor as duas possibilidades. O estudante apenas chega aos graus superiores da Ciência após ter percorrido as séries que conduzem até lá. Essas séries, qualquer que seja o trabalho que exijam, são um meio de chegar ao objetivo e não uma punição. O estudante esforçado encurta a caminhada e nela encontra menos dificuldades, contrariamente àquele cujo desleixo e preguiça obrigam a repetir algumas séries. Não é o trabalho da repetição que constitui uma punição, mas a obrigação de ter de fazer tudo outra vez.

Assim tem sido com o homem na Terra. Para o Espírito do selvagem, que está quase no início da vida espiritual, a encarnação é um meio de desenvolver sua inteligência. Porém, para o homem esclarecido, no qual o sentido moral está mais desenvolvido e que é obrigado a repetir as etapas de uma vida corporal cheia de angústias, quando já poderia ter alcançado o objetivo, torna-se um castigo, pela necessidade de prolongar sua permanência nos mundos inferiores e infelizes. Ao contrário, aquele que trabalha ativamente para o seu progresso moral pode não somente encurtar a duração da encarnação material, mas vencer de uma só vez os graus intermediários que o separam dos mundos superiores.

Pergunta-se: os Espíritos não poderiam encarnar uma única vez num mesmo globo e cumprir outras existências em outros mundos diferentes? Essa situação só poderia ser admitida se todos os homens encarnados na Terra fossem exatamente do mesmo padrão intelectual e moral. As diferenças que existem entre eles, desde o selvagem até o homem civilizado, mostram quais os degraus que têm de subir, e a encarnação tem de ter um objetivo útil. Então, qual seria a finalidade das encarnações de curta duração, das crianças que morrem pequeninas? Sofreriam sem proveito para si mesmas, nem para os outros. Mas Deus, cujas leis são soberanamente sábias, não faz nada de inútil. Pela reencarnação no mesmo globo, quis que os mesmos Espíritos se reencontrassem e pudessem ter oportunidade de reparar os erros que cometeram entre si. Tendo em conta suas relações anteriores, Deus quis estabelecer e fixar os laços de família sobre uma base espiritual e, sobre uma lei natural, apoiar os princípios de solidariedade, de fraternidade e de igualdade.

São Luís – Paris, 1859

Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 4 – Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo. Tema da explanação evangélica desta terça-feira, 26 de março de 2013.

Há muitas moradas na casa de meu Pai

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Não se turbe o vosso coração. – Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. – Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí estejais. ( S. JOÃO, cap. XIV, vv. 1 a 3.)

Progressão dos mundos

O progresso é lei da Natureza. A essa lei todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que aos homens parece o termo final de todas as coisas, é apenas uni meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento.

Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada em a Natureza permanece estacionário. Quão grandiosa é essa idéia e digna da majestade do Criador! Quanto, ao contrário, é mesquinha e indigna do seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia, que é a Terra, e restringe a Humanidade aos poucos homens que a habitam!

Segundo aquela lei, este mundo esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se acha e se alçará sob esse duplo aspecto a um grau mais elevado. Ele há chegado a um dos seus períodos de transformação, em que, de orbe expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração, onde os homens serão ditosos, porque nele imperará a lei de Deus.

Santo Agostinho. (Paris, 1862.)

Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 3 – Há Muitas moradas na casa do meu Pai. Tema da explanação evangélica deste sábado, 23 de março de 2013.