Livro espírita infantil leva Moranguinho ao mundo dos sonhos

moranguinho no mundo dos sonhos

Depois de A Turma da Mônica ilustrar o livro Meu Pequeno Evangelho, baseado no Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, chegou a vez de outra turminha de amigos chegar às prateleiras protagonizando lições de amor e amizade.

A Turma da Moranguinho embarca numa divertida aventura em um mundo misterioso no novo livro do mesmo escritor peruano, Luis Hu Rivas. A obra, da Editora Boa Nova, apresenta para as crianças ensinamentos de amizade, amor, respeito à natureza e aos animais, retirados de uma das obras mais importantes do Espiritismo, O Livro dos Espíritos, que também integra a obra kardequiana.

Uma lenda na Cidade das Frutinhas dizia que uma nuvem mágica aparecia sobre a cabeça de quem tinha o problema e fazia chover bem em cima dela. A nuvem misteriosa simbolizava o grande problema a ser solucionado, e a chuva era o início da solução dele.

Ao sair à procura da misteriosa Flor da Natureza – que só desabrochava quando uma pessoa tinha um problema para resolver e não sabia como -, Moranguinho e sua turma acabam embarcando em uma aventura emocionante dentro do mundo dos sonhos (ou mundo espiritual).

Com um animado guia turístico chamado Huck, as frutinhas aprendem as 10 importantes leis morais sobre oração, trabalho, reprodução, conservação, transformação, sociedade, igualdade, liberdade, progresso, amor e justiça.

A obra Moranguinho no Mundo dos Sonhos traz ainda mais de 20 atividades relacionadas às lições aprendidas pelas frutinhas, além do característico aroma de morango, próprio da famosa personagem.

Fonte: http://entretenimento.ne10.uol.com.br/literatura/noticia/2015/12/04/livro-inspirado-em-licoes-espiritas-leva-moranguinho-ao-mundo-dos-sonhos-584518.php

Moranguinho no mundo dos sonhos pode ser adquirido na Livraria espirita Yvonne do Amaral Pereira (Rua Ademar A. Silva (antiga Rua 90), n. 6, esquina com a Rua 21

 

 

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O ENCONTRO DIVINO. Espírito: IRMÃO X

Quando o cavaleiro D´Arsonval, valoroso senhor em França, se ausentou do medievo domicílio, pela primeira vez, de armadura fulgindo ao Sol, dirigia-se à Itália para solver urgente questão política. Eminente cristão trazia consigo um propósito central – servir ao Senhor, fielmente, para encontra-lo. Não longe de suas portas, viu surgir, de inesperado, ulceroso mendigo a estender-lhe as mãos descarnadas e súplices. Quem seria semelhante infeliz a vaguear sem rumo? Preocupava-o serviço importante, em demasia, e, sem se dignar fixa-lo, atiroulhe a bolsa farta. O nobre cavaleiro tornou ao lar e, mais tarde, menos afortunado nos negócios, deixou de novo a casa. Demandava a Espanha, em missão de prelados amigos, aos quais se devotara. No mesmo lugar, postava-se o infortunado pedinte, com os braços em rogativa. O fidalgo, intrigado, revolveu grande saco de viagem e dele retirou pequeno brilhante, arremessando-o ao triste caminheiro que parecia devora-lo com o olhar. Não se passou muito tempo e o castelão, menos feliz no círculo das finanças, necessitou viajar para a Inglaterra, onde pretendia solucionar vários problemas, alusivos à organização doméstica. No mesmo trato de solo, é surpreendido pelo amargurado leproso, cuja velha petição se ergue no ar. O cavaleiro arranca do chapéu estimada jóia de subido valor e projeta-a sobre o conhecido romeiro, orgulhosamente, Decorridos alguns meses, o patrão feudal se movimenta na direção de porto distante, em busca de precioso empréstimo, destinado à própria economia, ameaçada de colapso fatal, e, no mesmo sítio, com rigorosa precisão, é interpelado pelo mendigo, cujas mãos, em chaga abertas, se voltam ansiosas para ele. D´Arsonval, extremamente dedicado à caridade, não hesita. Despe fino manto e entrega-o, de longe, receando-lhe o contacto. Depois de um ano, premido por questões de imediato interesse, vai a Paris invocar o socorro de autoridades e, sem qualquer alteração, é defrontado pelo mesmo lázaro, de feição dolorida, que lhe repete a antiga súplica. O Castelão atira-lhe um gorro de alto preço, sem qualquer pausa no galope, em que seguia, presto. Sucedem-se os dias e o nobre senhor, num ato de fé, abandona a respeitada residência, com séqüito festivo. Representará os seus, junto à expedição de Godofredo de Bouillon, na cruzada com que se pretende libertar os Lugares Santos. No mesmo ângulo da estrada, era aguardado pelo mendigo, que lhe reitera a solicitação em voz mais triste. O ilustre viajor dá-lhe, então, rico farnel, sem oferecer-lhe a mínima atenção. E, na Palestina D´Arsonval combateu valorosamente, caindo, ferido, em poder dos adversários. Torturado, combalido e separado de seus compatriotas, por anos a fio, padeceu miséria e vexame, ataques e humilhações, até que um dia, homem convertido em fantasma, torna ao lar que não o reconhece. Propalada a falsa notícia de sua morte, a esposa deu-se pressa em substituí-lo, à frente da casa, e seus filhos, revoltados, soltaram cães agressivos que o dilaceraram, cruelmente, sem comiseração para com o pranto que lhe escorria dos olhos semimortos. Procurando velhas afeições, sofreu repugnância e sarcasmo. Interpretado, agora, à conta de louco, o ex-fidalgo, em sombrio crepúsculo, ausentou-se, em definitivo, a passos vacilantes… Seguir para onde? O mundo era pequeno demais para conter-lhe a dor. Avançava, penosamente, quando encontro o mendigo. Relembrou a passada grandeza e atentou para si mesmo, qual se buscasse alguma coisa para dar. Contemplou o infeliz pela primeira vez e, cruzando com ele o olhar angustiado, sentiu que aquele homem, chegado e sozinho, devia ser seu irmão. Abriu os braços e caminhou para ele, tocado de simpatia, como se quisesse dar-lhe o calor do próprio sangue. Foi, então, que, recolhido no regaço do companheiro que considerava leproso, dele ouviu as sublimes palavras: – D´Arsonval, vem a mim! Eu sou Jesus, teu amigo. Quem me procura no serviço ao próximo, mais cedo me encontra… Enquanto me buscavas à distância, eu te aguardava, aqui tão perto! Agradeço o ouro, as jóias, o manto, o agasalho e o pão que me deste, mas há muitos anos te estendia os meus braços, esperando o teu próprio coração!… O antigo cavaleiro nada mais viu senão vasta senda de luz entre a Terra e o Céu… Mas, no outro dia, quando os semeadores regressavam às lides do campo, sob a claridade da aurora, tropeçaram no orvalhado caminho com um cadáver. D´Arsonval estava morto. FONTE: LIVRO ANTOLOGIA MEDIÙNICA DO NATAL – Psicografia: Francisco Cândido Xavie. Digitado por: Lúcia Aydir – SP/08/2005.

Oração à Pátria brasileira

Oração à Pátria brasileira

Pátria brasileira!

Abençoada pela fulgurante luz das estrelas do Cruzeiro do Sul, estás programada pelo Senhor da Vida para que sejas, em futuro não distante, o centro de irradiação do Evangelho restaurado.

Enquanto a humanidade sofre a noite terrível que se abate sobre a Terra, e tu experimentas, solo verdejante, a sombra dominadora do descalabro moral dos homens, na Consciência Cósmica que te gerou, estão definidos os desafios e rumos para que logres as tuas conquistas em futuro próximo.

Dormem, nas montanhas em que te apóias e na intimidade das águas oceânicas do Atlântico, que te banha de norte a sul, tesouros inimagináveis que te destacarão mais tarde no concerto econômico das grandes nações.

Embora a conspiração deste momento contra as tuas matas grandiosas, sobreviverás às ambições desconcertantes de madeireiros, pecuaristas e agricultores desalmados, e dos conciliábulos nefandos que lutam pela destruição da tua Amazônia, que permanecerá como último pulmão da Terra, sustentando a sociedade que hoje se encontra sem rumo.

Padeces, na conjuntura atual, a sistemática desagregação dos valores ético-morais, políticos e emocionais, os mesmos que abalam o mundo, mas esses transitórios violadores do dever passarão, enquanto persistirá a tua destinação histórica, Pátria do porvir!

Conseguiste libertar-te da mancha cruel da escravidão em etapas contínuas, que culminaram no gesto audaz da tua filha, que não teve pejo de, na ausência do pai, pôr fim ao abuso da exploração impiedosa do negro, também teu filho, no eito terrível e hediondo da perversidade.

Logo depois, já livre do jugo da pátria-mãe que te humilhava, pondo-te em subalterna situação, aspiraste por vôos mais altos, que um dia se transformaram em liberdades democráticas que sorriam para ti, e o teu pavilhão verde, azul e amarelo tremulou, numa república, que a partir de então podia compartilhar do banquete internacional realizado pelos povos livres da Terra.

É certo que ainda estertoras, neste momento de desafios, quando a cultura cambaleia, a ética desfalece, a moral se perverte e os direitos humanos esquecidos são postos à margem pelos dominadores ignorantes de um dia.

Tu, porém, sobreviverás a toda essa desdita, Brasil!

Compreende, neste momento, a desenfreada manobra dos manipuladores da opinião pública e a daqueles que te dilapidam os valores, transferindo-os para os paraísos fiscais da ignomínia e da insensatez, porque esse hediondo crime contra tua economia e os milhões de vidas, será de duração efêmera. Eles morrerão deixando tudo em contas secretas e em aplicações de que jamais se utilizarão…

Enquanto isso ocorre, gemem no teu solo os filhos da miséria, ocultos nos escombros do abandono.

As tuas vielas, ruas e avenidas nos pequenos burgos do interior, nas metrópoles, vêem e sofrem inermes, a desenfreada correria da violência que se atrela ao selvagem potro da morte, dizimando vidas, taladas em pleno alvorecer.

Paga, porém, em paciência e compaixão o preço da tua destinação histórica, na tua condição de futura Pátria da Paz e do Evangelho de Jesus.

Isto passará, e logo depois da noite de sombria, uma aurora de esperanças irá colocar-te no lugar que te está reservado, quando poderás oferecer lições de misericórdia e de solidariedade ao mundo que não perdoa, tu que te apresentas em forma de um grande coração simbolizando a afabilidade e a doçura.

Oro por ti, Brasil, e por vós, brasileiras e brasileiros, na condição de filho que também sou da terra iluminada pela constelação do Cruzeiro do Sul.

DEODORO

Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão da noite de 16 de novembro de 2005, no Centro Espírita “Caminho da Redenção”, em Salvador, Bahia, Brasil.

Pensamento budista

“…Nas velhas tradições do pensamento budista há uma bela narração a respeito de um jovem portador de beleza incomparável. Chamava-se Ananda.

Discípulo de Buda, ele se fascinava pela doutrina libertadora. Amava o mestre e entregara-se à sua nobre filosofia em caráter de totalidade. Ele havia encontrado no príncipe Sidarta Gautama um roteiro para a vida feliz. Se nos for possível fazer uma comparação, Ananda era para Buda o que o jovem João representava para Jesus.

Sendo um discípulo abnegado, muitas vezes viajava pelo Sul da Índia levando a mensagem do samadhi: a libertação e a vitória sobre a ilusão.

Em um dos seus retornos de viagem, sob o sol ardente, percorrendo uma estrada poeirenta para ir ao monastério onde estava o mestre, Ananda viu, à sombra generosa de uma árvore, uma jovem que retirava água de um poço. Ela repetia o gesto seguidamente no intuito de saborear a linfa cristalina e refrescante para saciar a sua sede.

Muito cansado e transpirando em abundância, ele acercou-se da fonte e solicitou jovialmente à moça, causando-lhe grande espanto:

— Dá-me de beber!

A jovem identificou nele as características de um brâmane: o porte, a roupa específica, a forma de apresentar os cabelos e o sinal colocado no centro da testa. Muito surpresa com aquela situação, ela respondeu:

— Como tu me pedes água? Eu sou uma pária! Não sabes que os párias são a assombrada fatalidade e possuem as marcas do abandono da Divindade?

O discípulo sereno redarguiu:

— Vejo em ti apenas a imagem de um anjo…Não me importa se a tua é uma condição social marginalizada. Vejo-te como mulher. E as mulheres são anjos que a Divindade coloca na Terra para tornar menos ásperas os caminhos e menos solitárias as jornadas. Dá-me de beber!

Para se ter uma ideia do quanto aquele diálogo constituía uma subversão aos costumes, basta dizer que um pária era tão amaldiçoado, que se a sua sombra caísse sobre alguém ou alguma coisa, aquilo ficaria impuro.

A jovem não dispunha de um vasilhame adequado para atender ao pedido:

— Mas eu não tenho como dar-te a água!

— Dá-me na concha das tuas mãos! – respondeu o jovem brâmane.

— As minhas mãos são impuras! Eu lido com cadáveres e outras imundícies.

— Dá-me a água nas tuas mãos!

A mulher, trêmula e desconcertada, mergulhou as mãos no poço e encheu-as com água, distendendo-as àquele jovem de beleza seráfica, que se dobrou e sorveu suavemente o líquido, deixando que os seus lábios tocassem várias vezes as mãos da jovem. Ele agradeceu sorrindo e completou, com uma voz repassada de ternura:

— Nunca me esquecerei de ti! Eu sou Ananda.

Ao dizer isso ele partiu, enquanto a jovem ficou atormentada pelo fogo do desejo. As labaredas da ansiedade crepitaram-lhe na alma! Embora desejasse, ela jamais acreditou ser possível ter a presença de alguém que lhe reconfortasse o coração amargurado, ainda mais um príncipe da sabedoria espiritual, descendente dos Pândavas, um homem com tanta beleza na alma sublimada e no corpo viril! Porque ela era invisível aos olhos da casta superior, por ser excluída e motivo de escárnio.

Tomada por essa angústia, ela recorreu à sua mãe, que praticava as artes mágicas, na tradicional conceituação da bruxaria.

— Mamãe, eu tenho que me casar com esse homem! Ele foi a primeira luz na noite dos meus desencantos! Nele encontrei o hálito da vida, a manifestação da esperança e o perfume do amor! Tu, que falas com as almas dos imortais, que podes dialogar com as sombras, pede-lhes para que me ofereçam de presente, nesta vida amarga, o suave canto daquela voz. Eu desejo ter ao meu lado a presença máscula de alguém que passou pelo meu caminho e eternizou aqueles breves segundos em um tempo sem fim…

Atendendo ao apelo formulado pela filha, a mãe concentrou-se profundamente, compreendendo a tragédia que se abatia sobre a jovem pária, desprezada e devorada pela paixão. A genitora afirmou, em tom grave:

— Como tu podes pensar em tê-lo como marido? Ele é discípulo de Buda. Naturalmente ele fez votos de abnegação e de castidade, o que inviabiliza completamente qualquer tentativa de convencê-lo a te desposar. Ao mesmo tempo, os anjos do Paraíso o assessoram. E eu não posso interceder junto aos Numes tutelares da humanidade para que o desviem da sua trajetória espiritual.

— Mamãe, se eu não encontrar novamente esse homem, eu me matarei! A sede que arde na minha alma e a doçura do seu olhar que me aplaca as labaredas são o único motivo que me faz continuar a viver! Apesar de ser pária eu também tenho um corpo que atrai os homens. Eles me atiram galanteios e me oferecem gemas preciosas. Mas eu me tenho preservado porque sonhei um dia com um banquete de núpcias… Tu és minha mãe! Acalma meu desespero! Intercede junto às sombras para que elas o atormentem e o despertem!

Com a negativa materna, a mulher pária mergulhou em profunda melancolia. Os dias se passaram, e ela estava com o corpo abalado, morrendo aos poucos, vitimada por um desejo não vivenciado.

Foi então que a mãe resolveu consultar as sombras para satisfazer o pedido pungente de sua filha. Durante o transe profundo ela percebeu que poderia deslocar-se em Espírito na direção de Ananda, acompanhada de seres perversos que a conduziram na tentativa de manipular os pensamentos e as emoções do discípulo de Buda.

Neste ínterim, o jovem havia chegado ao monastério. Buda o recebeu com seu enigmático sorriso, a sua jovialidade e a sua ternura, abençoando aquele que se lhe transformara em um verdadeiro filho espiritual.

Por sua vez, Ananda procurou os seus aposentos, atirou-se no leito, mas não conseguiu dormir. Pela primeira vez ele sentiu que estranhos personagens que haviam sido sepultados nas águas do Rio Ganges retornavam de além da cortina da morte para perturbá-lo. O discípulo mergulhou na esfera dos sonhos…

Ele sonhou que a jovem pária apresentava-se vestida de princesa, adornada de joias e exalando odor de perfumes raros. Ante o som de uma música mística ela dançava com movimentos sensuais, exibindo uma postura de sedução quase irresistível. À medida que dançava, despia-se. Iniciava retirando o véu que lhe adornava a cabeça e em seguida o tecido que lhe cobria os ombros. Lentamente, à medida que os movimentos faziam-se mais perturbadores e provocantes, ela se desnudava e se apresentava aos seus olhos como a oferta máxima do prazer, sobretudo para ele, que na aspereza da castidade pensava em pelo menos um dia desabrochar a rosa da sensualidade em um hausto de amor.

Debateu-se, angustiou-se naquele pesadelo, enquanto forças estranhas dominavam-lhe o corpo e provocavam-lhe a emoção.

Buda, que nesse momento entregava-se à meditação, irradiou a sua aura e percebeu que o seu discípulo estava sob a ameaça das forças telúricas do invisível, que conseguiam mobilizar no jovem a tentação da carne, utilizando os vigorosos impulsos da animalidade que existem em todos nós. O mestre deslocou o seu pensamento até o quarto de Ananda e expulsou as forças negativas, fazendo que se diluíssem sob o sopro da ternura e da compaixão.

O jovem despertou banhado por álgido suor, tremendo e assustado, detectando as energias protetoras do mestre nos seus aposentos.

A partir desse dia, Ananda penetrou ainda mais no labirinto das meditações, que poderiam proporcionar-lhe maior soma de forças para permanecer em paz.

A jovem, que não havia alcançado os seus objetivos através das artes mágicas, recorreu novamente à mãe pedindo-lhe uma solução para o seu drama, já que a sua vida perdera o sentido. O seu único sentimento era o de posse, o desejo irrefreável de ter Ananda ao seu lado. Aquela alma e aquele corpo deveriam pertencer-lhe.

Com sabedoria a mãe ofereceu-lhe uma sugestão:

— Vai a Buda. Procura o príncipe e ele te dirá alguma coisa sobre como irás obter a tua felicidade.

A jovem partiu…

Quando chegou ao mosteiro em que o príncipe meditava, prosternou-se e demorou-se em atitude de reverência, procurando não interromper a concentração do mestre. No instante em que ele recobrou a lucidez, ela lhe suplicou:

— Príncipe Buda, eu amo Ananda! E somente vós possuís o condão de me brindar com a companhia dele, a joia mais rara que existe na Índia!

— Tu amas Ananda? – perguntou o mestre.

— Amo, senhor! Mais do que a mim mesma!

Buda olhou-a demoradamente e respondeu-lhe com um sorriso:

— Se tu desejas ter Ananda, deverás pagar o preço do amor. Terás que ascender até o ponto em que ele se encontra. Porque se tu queres possuí-lo, é necessário conquistá-lo. Ele não é o ser ideal para atender a ardência da tua paixão. E para atingir o patamar em que ele transita, terás que elevar-te através da meditação e filiar-te ao pensamento de transformação íntima.

Ele fez uma pausa para que a proposta fosse bem assimilada e concluiu:

— Terás que meditar por duas razões: primeiro, para acalmar o fogo da paixão; depois, para ser realmente a companheira que ele merece.

— E por quanto tempo deverei meditar?

— Por dez anos.

A jovem ergueu a cabeça e respondeu:

— Por amor a Ananda eu estou disposta!

O mestre concluiu:

— Então vai e medita! Busca a Presença Divina, e eu te darei Ananda.

Decidida a conquistar o amor de Ananda, ela abandonou tudo, despiu-se das marcas de pária e começou a meditar. Permanecia dominada pelo Espírito de maya, a ilusão, que ela deveria aniquilar em sua intimidade.

Após o primeiro período de meditação que Buda lhe prescreveu, ela procurou o iluminado e lhe disse que já havia encontrado um pouco de paz, mas Ananda não lhe saía da cabeça. Aos seus olhos, a cada dia o brâmane se apresentava mais viril, mais belo e encantador. Era a materialização do seu sonho e da sua ambição.

— Senhor, eu creio que estou preparada!

Ao ouvir o relato, o mestre a contemplou, penetrou-lhe a alma e aconselhou-a:

— É verdade que tu estás caminhando de maneira muito proveitosa. Mas falta-te um pouco mais. Necessitas aprender a renúncia para que te libertes da ilusão e da ambição. Medita mais e encontrarás a plenitude que te falta!

— Por quanto tempo?

— Mais cinco anos.

A jovem mergulhou por mais esse período no abismo do insondável… Penetrou ainda mais no Self. E quando emergiu, procurou novamente o mestre, curvou-se aos seus pés e relatou:

— Agora eu estou preparada!

Buda mandou chamar Ananda e lhe comunicou que aquela era a mulher que a vida havia preparado para servir-lhe de companheira.

A ex-pária levantou-se, olhou o mestre e o seu discípulo com tranquilidade e declarou para surpresa de todos:

— Eu já não necessito do corpo de Ananda! Ao encontrar a mim mesma e ao perceber a presença da Alma Universal, meus planos se modificaram por completo. Ao haver superado o fogo da ilusão, a paixão tentadora da posse, atingindo o patamar em que o brâmane se encontra, eu já não desejo o homem, a materialização de sua presença física para me preencher, pois eu já o tenho na intimidade do meu coração!

E depois de beijar suavemente a mão de Ananda, a jovem saiu na direção do infinito…

Buda observou atentamente aquela cena e concluiu:

— A grande conquista somente é possível por fora quando a alma conquista a si mesma por dentro…” (FRANCO, Divaldo Pereira. Sexo e Consciência. 2013, p.511-517)

O ENCONTRO DIVINO

jesus

Quando o cavaleiro D´Arsonval, valoroso senhor em França, se ausentou do medievo domicílio, pela primeira vez, de armadura fulgindo ao Sol, dirigia-se à Itália para solver urgente questão política.

Eminente cristão trazia consigo um propósito central – servir ao Senhor, fielmente, para encontra-lo.

Não longe de suas portas, viu surgir, de inesperado, ulceroso mendigo a estender-lhe as mãos descarnadas e súplices.

Quem seria semelhante infeliz a vaguear sem rumo?

Preocupava-o serviço importante, em demasia, e, sem se dignar fixa-lo, atirou lhe a bolsa farta.

O nobre cavaleiro tornou ao lar e, mais tarde, menos afortunado nos negócios, deixou de novo a casa.

Demandava a Espanha, em missão de prelados amigos, aos quais se devotara.
No mesmo lugar, postava-se o infortunado pedinte, com os braços em rogativa.

O fidalgo, intrigado, revolveu grande saco de viagem e dele retirou pequeno brilhante, arremessando-o ao triste caminheiro que parecia devora-lo com o olhar.

Não se passou muito tempo e o castelão, menos feliz no círculo das finanças, necessitou viajar para a Inglaterra, onde pretendia solucionar vários problemas, alusivos à organização doméstica.

No mesmo trato de solo, é surpreendido pelo amargurado leproso, cuja velha petição se ergue no ar.

O cavaleiro arranca do chapéu estimada jóia de subido valor e projeta-a sobre o conhecido romeiro, orgulhosamente,

Decorridos alguns meses, o patrão feudal se movimenta na direção de porto distante, em busca de precioso empréstimo, destinado à própria economia, ameaçada de colapso fatal, e, no mesmo sítio, com rigorosa precisão, é interpelado pelo mendigo, cujas mãos, em chaga abertas, se voltam ansiosas para ele.

D´Arsonval, extremamente dedicado à caridade, não hesita. Despe fino manto e entrega-o, de longe, receando-lhe o contacto.

Depois de um ano, premido por questões de imediato interesse, vai a Paris invocar o socorro de autoridades e, sem qualquer alteração, é defrontado pelo mesmo lázaro, de feição dolorida, que lhe repete a antiga súplica.

O Castelão atira-lhe um gorro de alto preço, sem qualquer pausa no galope, em que seguia, presto.

Sucedem-se os dias e o nobre senhor, num ato de fé, abandona a respeitada residência, com séqüito festivo.

Representará os seus, junto à expedição de Godofredo de Bouillon, na cruzada com que se pretende libertar os Lugares Santos.

No mesmo ângulo da estrada, era aguardado pelo mendigo, que lhe reitera a solicitação em voz mais triste.

O ilustre viajor dá-lhe, então, rico farnel, sem oferecer-lhe a mínima atenção.
E, na Palestina D´Arsonval combateu valorosamente, caindo, ferido, em poder dos adversários.

Torturado, combalido e separado de seus compatriotas, por anos a fio, padeceu miséria e vexame, ataques e humilhações, até que um dia, homem convertido em fantasma, torna ao lar que não o reconhece.

Propalada a falsa notícia de sua morte, a esposa deu-se pressa em substituí-lo, à frente da casa, e seus filhos, revoltados, soltaram cães agressivos que o dilaceraram, cruelmente, sem comiseração para com o pranto que lhe escorria dos olhos semimortos.

Procurando velhas afeições, sofreu repugnância e sarcasmo.

Interpretado, agora, à conta de louco, o ex-fidalgo, em sombrio crepúsculo, ausentou-se, em definitivo, a passos vacilantes…

Seguir para onde? O mundo era pequeno demais para conter-lhe a dor.
Avançava, penosamente, quando encontro o mendigo.

Relembrou a passada grandeza e atentou para si mesmo, qual se buscasse alguma coisa para dar.

Contemplou o infeliz pela primeira vez e, cruzando com ele o olhar angustiado, sentiu que aquele homem, chegado e sozinho, devia ser seu irmão. Abriu os braços e caminhou para ele, tocado de simpatia, como se quisesse dar-lhe o calor do próprio sangue. Foi, então, que, recolhido no regaço do companheiro que considerava leproso, dele ouviu as sublimes palavras:

– D´Arsonval, vem a mim! Eu sou Jesus, teu amigo. Quem me procura no serviço ao próximo, mais cedo me encontra… Enquanto me buscavas à distância, eu te aguardava, aqui tão perto! Agradeço o ouro, as jóias, o manto, o agasalho e o pão que me deste, mas há muitos anos te estendia os meus braços, esperando o teu próprio coração!…

O antigo cavaleiro nada mais viu senão vasta senda de luz entre a Terra e o Céu…

Mas, no outro dia, quando os semeadores regressavam às lides do campo, sob a claridade da aurora, tropeçaram no orvalhado caminho com um cadáver.

D´Arsonval estava morto.

Espírito: IRMÃO X.

FONTE: LIVRO ANTOLOGIA MEDIÙNICA DO NATAL –

Psicografia: Francisco Cândido Xavier.

Lenda Sioux da Águia e do Falcão!

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Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo … 
– Nós nos amamos… e vamos nos casar – disse o jovem.
– E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã… alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos… que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
– Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada…
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e traze-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo – continuou o feiticeiro – deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva! 

Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada… no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos… e viu eram verdadeiramente formosos exemplares…
– E agora o que faremos? – perguntou o jovem – as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue? 
Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? – propôs a jovem.
– Não! – disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro… quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres…
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros… a águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do voo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
E o velho disse: Jamais esqueçam o que estão vendo… este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão… se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro… Se quiserem que o amor entre vocês perdure…Voem juntos mas jamais amarrados”. 

HISTÓRIAS QUE NOS ENSINAM

RELÓGIO ILUMINADO

Dona Yvonne do Amaral Pereira, médium espírita já desencarnada, muito conhecida no movimento espírita brasileiro, registrou no seu livro “Cânticos do Coração”, volume II, editado pelo Centro Espírita Léon Denis, do Rio de Janeiro, interessante história, que ela presenciou quando tinha mais ou menos 15 anos de idade, na cidade de Ouro Preto, onde seus pais residiam na época.
O fato verídico nos ajuda a melhor compreender as leis divinas de justiça e misericórdia.

Ali ela retrata a história de um Espírito cheio de ódio que procurava vingar-se de alguém que reencarnou com a tarefa da mediunidade de cura, servindo de instrumento a veneráveis Espíritos, entre eles Br. Bezerra de Menezes. O próprio Espírito obsessor disse que na época de D Maria I, quando Ouro Preto ainda era Vila Rica, o médium era um promotor público de quem ele era subalterno. O promotor, a quem ele agora perseguia, ordenava-lhe retiradas de bens públicos para uso pessoal. E quando estavam descobrindo a escândalo, para se ocultar ele acusou seu funcionário, que foi julgado e condenado à forca em praça pública.

Diz o Espírito obsessor que, apesar de rogar clemência e dizer que tinha oito filhos, o verdadeiro criminoso não confessou seu crime, deixando-o que pagasse por algo de que não tinha culpa, sendo então enforcado e tendo o corpo exposto durante todo o dia para observação pública. O antigo promotor, depois de sofrer no mundo espiritual onde lhe adveio o arrependimento, voltou à Terra, comprometido com os benfeitores, para ajudar no alívio do sofrimento humano através da mediunidade. Acontece, diz dona Yvonne, que ele não era regular nos trabalhos de auxílio e que mais se dedicava à política do que frequentava o grupo espírita. Até que os benfeitores foram perdendo a sintonia com ele e o Espírito obsessor o alcançou, colocando sua vida várias vezes em perigo.

Relata a autora do livro que um dia, tendo ele comparecido à sessão que ela também frequentava, Dr.Bezerra, servindo-se de outro médium, falou particularmente para ele:

“Deus é testemunha, meu filho, de que tudo fiz para conduzir-te a um caminho sensato, onde te poderias reformar. Foste dotado com uma faculdade preciosa, que te auxiliaria a resgatar erros passados através do amor e do trabalho santificado pelo Evangelho. Mas, tens sido rebelde. Nunca levaste a sério o compromisso com o Cristo de Deus nem com a Doutrina dos Espíritos, seus mensageiros, nem com a tua faculdade mediúnica, bem celeste e que poderia fazer a tua redenção. Agora, peço-te pela última vez: Compadece-te de ti mesmo! Ora e pede perdão ao teu adversário. Ora por ele, que muito sofre, pois é tão rebelde como tu próprio. Ajuda-o, pois nunca o fizeste! Modera o teu gênio, retrai-te do mundo, porque o médium há de viver no mundo, mas sem pertencer ao mundo. E, acima de tudo, nestes próximos vinte dias, não te permitas reuniões com amigos. Do teu trabalho segue para o lar, entretém-te com teus filhos e teus livros doutrinários. Não te intrometas em política, não visites cafés nem bares, não discutas com quem quer que seja. Se venceres esta etapa estarás salvo.”

Segundo D. Yvonne, embora o médium tenha prometido em lágrimas, quinze ou vinte dias depois viu-se discutindo com adversários políticos quando um desses o ofendeu. Ele, então, encolerizado, esbofeteou o rosto do inimigo. Um policial, amigo deste último, entrou em sua defesa. O dono do bar colocou todos para fora e fechou o recinto. E ali, em meio à praça pública, a mesma que outrora fora palco do enforcamento do Espírito que o perseguia, o soldado sacou de seu revólver e descarregou sua arma sobre o médium que, caindo moralmente ferido, ainda teve tempo para dizer: “Não me mate, pelo amor de Deus! Tenho oito filhos pequenos para criar!”

Concluindo a narrativa, a escritora comenta que outro fato chamou a atenção de todos, pois, embora a vítima de agora fosse um funcionário público muito conhecido, por motivo não explicado seu corpo ficou ali, naquela praça, exposto das dez da manhã, hora do crime, até às dezessete horas.

Matéria extraída do Jornal O Imortal, escrito por José Antônio V. de Paula – Junho de 2010.