A mediunidade como missão

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Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que recebestes gratuitamente. (Mateus, 10:8)

Dai gratuitamente o que recebestes gratuitamente, disse Jesus a seus discípulos. Por este ensinamento recomenda não cobrar por aquilo que nada se pagou; portanto, o que tinham recebido gratuitamente era o dom de curar as doenças e de expulsar os demônios, ou seja, os maus Espíritos; esse dom lhes havia sido dado gratuitamente por Deus para o alívio dos que sofrem, para ajudar a propagação da fé, e lhes disse para não fazerem dele um meio de comércio, nem de especulação, nem um meio de vida.

MEDIUNIDADE GRATUITA
Os médiuns de agora – visto que também os apóstolos tinham mediunidade – receberam igualmente de Deus um dom gratuito: o de serem os intérpretes dos Espíritos para instruírem os homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé e não para venderem palavras que não lhes pertencem, visto que não são o produto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. Deus quer que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre seja dela privado e possa dizer: Não tenho fé, porque não a pude pagar; não tive a consolação de receber os encorajamentos e os testemunhos de afeição daqueles por quem choro, porque sou pobre. Eis por que a mediunidade não é um privilégio, e se encontra em todos os lugares. Cobrar por ela seria desviá-la de seu objetivo providencial.
Todo aquele que conhece as condições em que os bons Espíritos se comunicam e a repulsa que sentem por tudo o que é de interesse egoísta, sabe como pouca coisa é preciso para que se afastem, jamais poderá admitir que os Espíritos superiores estejam à disposição do primeiro que os chamasse, recompensando-os a tanto por sessão. O simples bom-senso repele esse pensamento. Não seria também uma profanação evocar em troca de dinheiro os seres que respeitamos ou que nos são queridos? Sem dúvida, agindo assim, podem-se ter manifestações, mas quem poderá garantir a sinceridade delas? Espíritos levianos, mentirosos, espertos e toda a espécie de Espíritos inferiores, muito pouco escrupulosos, correm sempre a esses chamados e estão sempre prontos a responder a tudo que lhes é perguntado, sem se preocupar com a verdade. Aquele que quer comunicações sérias deve, em primeiro lugar, procurá-las seriamente, depois de certificar-se sobre a natureza das ligações do médium com os seres do mundo espiritual. Portanto, a primeira condição para se alcançar a benevolência dos bons Espíritos é a humildade, o devotamento, a abnegação e o mais absoluto desinteresse moral e material.
Ao lado da questão moral, apresenta-se uma consideração real e positiva, não menos importante, que se liga à própria natureza da mediunidade. A mediunidade séria não pode ser e jamais será uma profissão, não somente porque seria desacreditada moralmente, e logo se assemelharia aos que leem a sorte, mas também porque um obstáculo se opõe a isso. É que a mediunidade é um dom essencialmente móvel, fugidio, variável e inconstante. Ela seria, pois, para o explorador, um recurso completamente incerto, que poderia lhe faltar no momento mais necessário. Outra coisa é um talento adquirido pelo estudo e pelo trabalho e que, por essa razão, equivale a uma propriedade da qual naturalmente é permitido tirar proveito. Mas a mediunidade não é nem uma arte, nem um talento; é por isso que ela não pode tornar-se uma profissão; ela apenas existe com a participação dos Espíritos; sem eles não há mediunidade; a aptidão pode continuar existindo, mas o exercício é falso, é nulo. Não há um único médium no mundo que possa garantir a obtenção de uma manifestação espírita e num determinado instante. Explorar a mediunidade é, portanto, dispor de algo que não se possui. Afirmar o contrário é enganar aquele que paga. Ainda há mais: não é de si mesmo que o explorador dispõe; é dos Espíritos, das almas dos mortos cuja cooperação se colocou à venda. Esta idéia causa repugnância. Foi esse tráfico, comprovado pelo abuso, explorado pelos impostores, pela ignorância, pela crendice e pela superstição, que motivou a proibição de Moisés. O Espiritismo moderno, compreendendo a seriedade da questão, lançou sobre seus exploradores o descrédito, elevando a mediunidade à categoria de missão. (Consulte O Livro dos Médiuns, 2a. parte, Cap. 28, e O Céu e o Inferno, 1a. parte, Cap. 11.)
A mediunidade é uma missão sagrada que deve ser praticada santa e religiosamente. Se há um gênero de mediunidade que requer essa condição de maneira ainda mais absoluta é a mediunidade de cura. Assim é que o médico oferece o fruto de seus estudos, que fez à custa de sacrifícios muitas vezes árduos; o magnetizador dá o seu próprio fluido, muitas vezes, até mesmo sua saúde; portanto, ambos podem colocar preço nisso. O médium curador por sua vez transmite o fluido salutar dos bons Espíritos e isso ele não tem o direito de vender. e os apóstolos, embora pobres, nada recebiam pelas curas que faziam.
Aquele, pois, que não tem do que viver, que procure recursos em outros lugares, menos na mediunidade, e que apenas dedique a ela, se for o caso, o tempo de que possa dispor materialmente. Os Espíritos levarão em conta o seu devotamento e sacrifícios, enquanto se afastarão daqueles que esperam fazer da mediunidade um modo de subir na vida.

Allan Kardec
Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 26 – Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes. Tema da explanação evangélica deste sábado, 09 de março de 2013.

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