A Bênção da Maternidade

Uma senhora procurou-nos. Trazia a dor estampada nos olhos, chorava compulsivamente. Percorrera vários psiquiatras. Todos tentaram ajudá-la, mas ela não conquistara a paz de consciência e colocou-nos o seu drama:

Casara-se e viera a gravidez e ela trazia o medo, o pavor instintivo de ter um filho deformado. Ser mãe de excepcional era o seu medo, uma coisa horripilante que chegava a traumatizá-la e ela rezava a Deus na sua linguagem de católica.

Se aquela criança que estava para nascer viesse deformada, era preferível que nascesse morta, porque ela não queria ver um filho sofrendo na vida (quando na verdade, abrimos um parêntese, ela é que estava com vergonha de sofrer a provação moral de ser mãe de uma possível criança deformada, não de ver uma criança sofrendo.)

Então, a criança nasceu morta. Uma prova real para os pais, porque a criança não era portadora de nenhum defeito congênito. Um trauma profundo ficara na consciência dessa nossa irmã. Chorava dia e noite e o marido não sabia a razão nem o motivo.

Levada a vários psicólogos e psiquiatras, o conselho era o mesmo: “embora você não necessite trabalhar, arrume trabalho, distraia o pensamento, converse com outras pessoas, tente sair de você mesma, isso é terapêutica que pode dar resultado”.

Ela, sabendo da nossa posição de orientador, que talvez não oriente a si próprio nos percalços do caminho, veio nos colocar a sua história:

-“Que devo fazer? Ajuda-me, pelo amor de Deus.

O que o senhor pode me orientar?”

– “Eu preciso de uma ajuda espiritual, e a lição voltou de maneira redobrada”.

Eu Ihe disse:

– “Filha, se você olhar bem, atentando bem a sua visão, você verá que está pedindo justamente a orientação a um excepcional”. Ela olhou-nos, profundamente chocada, abaixou os olhos e pediu desculpas. E nós continuamos: “Irmã, nós não Ihe falamos assim com o intuito de massacrá-la ou aprofundar-lhe o punhal da dor, da sua angústia, foi tão-somente para mostrar que há Espíritos que necessitam passar pela fieira das expiações dolorosas ao voltar à Terra.

Eles mesmos solicitaram a reencarnação em corpos de órfãos e de cretinos para ressarciram os débitos cometidos no passado, em que às vezes os pais foram seus cúmplices. Portanto, minha irmã, quando a Providência Divina Ihe conceder a bênção de uma segunda gravidez, não exija nem o sexo da criança. Agradeça a bênção da maternidade e siga corajosa cumprindo o seu dever”.

Fizemos uma prece conjuntamente. Ela saiu feliz e disse:

– “De qualquer forma, já estou mais tranqüila, já compreendo melhor o que é a vida, graças às leituras que tenho feito no Evangelho Segundo o Espiritismo.”

Jerônimo Mendonça

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s